Setor de call center foca em treinamento para manter motivação no home office
DINO
Setor de call center foca em treinamento para manter motivação no home office

Considerado um serviço essencial durante a pandemia, o setor de call center foi fundamental para manter o contato entre clientes e empresas. Enquanto o comércio e as prestadoras de serviços precisavam se adaptar, de forma urgente, à transformação digital, e-commerces, deliverys e atendimento virtual foram alguns dos caminhos para seguir com as operações. Com o fechamento dos pontos de contato presenciais, a experiência de consumo, as resoluções de problemas e as imagens das companhias ficaram, mais do que nunca, diretamente ligadas à qualidade de atendimento encontrada no call center.

As compras on-line no Brasil, em 2020, tiveram um crescimento histórico de 68%, de acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). Dispor de um bom serviço de atendimento ao consumidor para tirar dúvidas, seja por ligação ou chat, receber reclamações e realizar trocas ou devoluções podem ser os diferenciais entre a venda ou o abandono do carrinho nas compras remotas.

Uma pesquisa realizada pela Revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios, apontou que 61% dos consumidores afirmam que ser bem atendido é mais importante do que o preço ou a qualidade dos produtos. “O cliente avalia e compara. E hoje, a comparação não é apenas entre empresas do mesmo ramo de negócios. O cliente compara o atendimento que recebe da TV a cabo, com o prestado pela companhia área e também com o do restaurante. Pois, para ele, o atendimento precisa ser sempre ágil, rápido e bom”, analisa o especialista em gestão empresarial Marcelo Reis.

Call center e trabalho a partir de casa

O ambiente de home office trouxe um novo desafio à rotina dos gestores: garantir treinamento, motivação e produtividade aos times de atendimento ao cliente. O objetivo é driblar as restrições trazidas pela supervisão remota e pela falta da estrutura física da central de atendimento.  

Alguns dos  maiores desafios de manter o call center girando em home office são a infraestrutura, a rotina de treinamento e o foco, de acordo com Marcelo Reis, consultor empresarial, especialista em gestão e fundador da MR16 Consultoria. “Um call center tem uma dinâmica muito processual, é extremamente dependente de tecnologia e as informações e processos mudam constantemente. Com uma estrutura presencial, é mais fácil confirmar se as pessoas compreenderam os novos processos. É mais simples também garantir que a infraestrutura esteja funcionando, pois ela é toda centralizada, e não pulverizada, como acontece no home office”, analisa o consultor.

O ambiente da casa não estava preparado para receber a rotina de uma central de sucesso do cliente; ainda mais com muitos lares precisando encontrar o equilíbrio entre profissões, escola on-line e convívio familiar. Questões como ruídos externos, conversas paralelas e dificuldade de compreensão da fala na ligação podem dificultar a comunicação. Já em atendimentos via chat, a organização é fundamental para não perder nenhuma chamada e conseguir atender todas as demandas. “As chamadas entram umas atrás das outras. No ambiente de teletrabalho, se a pessoa não tiver um local silencioso e onde possa focar no atendimento, provavelmente tomará mais tempo ou não conseguirá atender de forma satisfatória seus clientes”, alerta Marcelo Reis.

A expectativa do cliente é ser tratado da mesma forma em todos os pontos de contato disponibilizados pela empresa, com um diálogo fluído, ininterrupto e funcional. “Já existem ferramentas de integração que atuam entre os canais de atendimento para garantir que o atendente interaja com o cliente sabendo exatamente o que já foi dito antes. Assim, o atendimento não começa do zero a cada vez e é possível atingir maior nível de assertividade nas ofertas, soluções e respostas. Integrar canais ainda é um enorme desafio para que as empresas ofereçam, de fato, uma experiência ominichannel, isto demanda investimento”, diz Marcelo Reis.

Treinamento, produtividade e qualidade: a trinca do sucesso no atendimento

O atendimento é feito por pessoas e para pessoas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a terceira onda da pandemia seria de saúde mental. Em junho de 2020, logo nos primeiros meses da pandemia, uma pesquisa com psiquiatras brasileiros mostrou que 47,9% dos profissionais tiveram aumento no número de consultas, de acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria. Além disso, 89,2% dos psiquiatras identificaram que seus pacientes tiveram sintomas agravados no período de quarentena.

Estes números demonstram que a atenção ao cuidado com as pessoas precisa ser redobrada por parte das empresas: tanto com o cliente quanto com o profissional de atendimento. Entre as alterações mais significativas de comportamento presente entre os profissionais após a migração para formato remoto de trabalho estão: alteração do sono, queda da produtividade e dificuldade de separar vida pessoal e trabalho, de acordo com uma pesquisa realizada pela Globant, empresa de serviços de tecnologia.

Funcionários estressados, cansados, desmotivados e que não dominam bem as suas tarefas tendem à procrastinação, desatenção e negligência. “ As empresas precisam se munir de ferramentas para garantirem tanto o bem-estar quanto preparo técnico de quem está trabalhando de casa. Criar programas que  façam com que os profissionais saibam que estão sendo treinados, e que têm o que é necessário para prestar um bom trabalho com foco técnico e qualidade. Porém, os gestores não podem abrir mão de implementar atividades e assistências comportamentais que ajudem os atendentes a se sentirem bem dos pontos de vista físico e mental”, pontua o fundador da MR16 Consultoria.

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Website: https://mr16.com.br/

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