A prevalência da obesidade entre as populações mais jovens cresceu exponencialmente nos últimos anos. Segundo dados da OMS, 340 milhões de crianças e adolescentes possuem algum grau de obesidade ou estão acima do peso. Na adolescência, além do maior risco do desenvolvimento de doenças, o excesso de peso também pode provocar impactos psíquicos e sociais.
O aumento da taxa de obesidade grave nessa faixa etária, contudo, tem elevado a busca por tratamentos mais efetivos e radicais, como a cirurgia bariátrica e metabólica. Em um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), foi constatado que o número de jovens operados na rede privada passou de 660 casos em 2008, para 2,1 mil em 2019, resultando em um aumento de 218% em dez anos.
O cirurgião bariátrico José Afonso Sallet, de São Paulo, explica esse acontecimento. "Infelizmente a incidência de obesidade mórbida com ou sem doenças associadas entre adolescentes de 12 a 18 anos cresceu muito nos últimos anos. Isso é resultado principalmente do mau hábito alimentar e da inatividade física, muito presentes nessa era digital”.
Conforme o médico-diretor do Instituto de Medicina Sallet , um segundo fator é que a cirurgia bariátrica e metabólica atingiu um elevado grau de maturidade e segurança no Brasil nos últimos 5 anos, de forma que pais e adolescentes se sentem mais seguros para buscar essa categoria de tratamento.
Indicação médica
A realização da cirurgia bariátrica e metabólica em pacientes menores de idade já é permitida pelo Ministério da Saúde desde 2012. Já para a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a adequação ocorreu neste ano. A recomendação é ter, pelo menos,16 anos e um IMC entre 35 e 40 na presença de comorbidades ou IMC maior que 40, independentemente de doenças associadas. Além disso, também é preciso ter falha nos outros tratamentos clínicos interdisciplinares por um período mínimo de 2 anos e já possuir maturidade óssea e sexual.
“O acompanhamento de uma equipe multiprofissional é também muito importante para que essa indicação seja precisa. Além do cirurgião, nutricionista, endocrinologista, psicólogo e preparador físico, é essencial que o adolescente seja assistido pelo pediatra, de modo a garantir a indicação e tratamento adequados, sem prejuízos nutricionais e atraso de desenvolvimento”, explica a endocrinologista Renata Midori.
Eficácia do tratamento cirúrgico
Um estudo de Avaliação Longitudinal de Cirurgia Bariátrica realizado com 242 adolescentes operados, publicado no Jornal Pediatrics , revelou que os adolescentes mais jovens, de 13 a 15 anos, tiveram perda de peso significativa e grande parte obteve resolução de comorbidades metabólicas importantes após 5 anos.
Conforme Sallet, além de ser um tratamento eficaz e duradouro, como demonstram os estudos, a cirurgia bariátrica em adolescentes envolve menos riscos. “Geralmente esse perfil de paciente é mais saudável que o adulto e não apresenta doenças associadas e, quando sim, não são comorbidades graves. A recuperação pós-operatória é igualmente mais rápida e eficiente”, completa.
Combatendo na infância
Apesar dos resultados efetivos, os especialistas e órgãos de saúde admitem que a cirurgia bariátrica possui indicações específicas e nunca deve ser a primeira opção de tratamento para o sobrepeso ou obesidade. Segundo Renata Midori, a melhor maneira de evitar a necessidade dessa intervenção, é prevenir ou remediar a doença precocemente.
"A obesidade é uma doença multifatorial, no entanto, a causa mais comum entre crianças e adolescentes está relacionada a uma alta ingestão calórica combinada a uma predisposição genética. Portanto, implementar um estilo de vida saudável na primeira infância da criança, adotando modificações dietéticas na rotina familiar e valorizando a atividade física, é a base para evitar problemas futuros”, aconselha a médica endocrinologista.
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