Recentemente, o Ministério da Economia divulgou que representantes da Secretaria de Governo Digital do Ministério da Economia (SGD/ME) se reuniram com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), para dar início à criação do Centro Integrado de Segurança Cibernética do Governo Digital (CSIRT GOV.BR).
O objetivo do CSIRT GOV.BR é, sobretudo, reforçar a prevenção, tratamento e a resposta a incidentes cibernéticos, como parte das ações de cibersegurança e uso de novas tecnologias no setor público, que, segundo a publicação, são previstas no acordo de cooperação entre as instituições.
Ainda de acordo com o Ministério da Economia, com o Centro Integrado, a SGD irá atuar na coordenação e integração com os órgãos públicos do Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação (Sisp). Medidas de treinamento, comunicação, diagnóstico, engajamento, implementação de tecnologias e compartilhamento de conhecimentos sobre privacidade e segurança da informação serão medidas adotadas pela SGD com órgãos da Sisp.
Para o arquiteto de software Leonardo Meyer, essa iniciativa vai auxiliar diretamente na melhoria da segurança, trazendo análises contínuas e aprofundadas de ameaças e vulnerabilidades nos sistemas de governo. “Na prática, ele deve atuar em conjunto com os órgãos de segurança pública para defender a infraestrutura de TI do país e melhorar não só a segurança dos sistemas como também a performance destes sistemas que sofrem ataques”, afirma.
Dados do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, divulgados pela Agência Brasil , apontaram que, em 2021, foram registrados cerca de cinco mil ataques cibernéticos sofridos pelo governo. Já em 2019, o número foi ainda maior: aproximadamente 10.716 ocorrências.
Visto o grande número de incidentes, Meyer acredita que essa iniciativa anunciada pelo governo pode motivar outras ações no combate a crimes cibernéticos. “Esta ação que hoje está voltada para se fazer a segurança cibernética gerará diversas informações que serão coletadas e que poderão servir como insumos para elaboração de novas condutas e leis, direcionadas especificamente para o mundo digital, que hoje é pouco coberta no Brasil”, complementa.
O arquiteto de software diz ainda que, dentre os principais incidentes cibernéticos que acontecem atualmente estão o hackeamento de contas e o vazamento de dados. “No caso do hacker, o usuário tem sua conta invadida, seja do banco ou de uma rede social. Já no vazamento, grandes empresas têm sofrido ataques cibernéticos que acarretam vazamento de dados de seus clientes/usuários”.
O Ministério da Economia, com a parceria com o BID e RNP, prevê que haja o suporte na criação de equipes de tratamento e incidentes cibernéticos dos órgãos do Sisp. E, também, a união das organizações possibilitará a análise não evasiva e contínua de ameaças e possíveis vulnerabilidades nos sistemas do governo.
Meyer acredita que essa parceria será uma importante aliada na proteção dos dados e da informação de brasileiros. “Esse é um espaço que irá também oferecer capacitação e disseminação de conhecimento sobre segurança cibernética, contribuindo para a redução dos riscos de incidentes”, finaliza.
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