
Atualmente, cerca de 30% da população brasileira têm rinite, doença não contagiosa que pode ter fator hereditário, conforme estimativa compartilhada pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia ( Asbai ). A condição é mais frequente após os dois anos de idade e atinge cerca de 25% das crianças.
A nível mundial, a rinite afeta em torno de 30% a 40% das pessoas, segundo uma projeção da Organização Mundial da Alergia, repercutida pelo Jornal da USP . Já de acordo com informações da American College of Allergy, Asthma and Immunology, publicadas pela Federação Brasileira de Hospitais ( FBH ), 70% das alergias ocorrem antes dos vinte anos de idade.
Entre os principais sintomas, o paciente com rinite pode apresentar coceira frequente no nariz ou nos olhos, espirros seguidos, coriza frequente e obstrução nasal - elementos que podem ser confundidos com gripes recorrentes.
Segundo o Dr. André Aguiar, médico alergologista, otorrinolaringologista e chefe do Serviço de Alergia da Policlínica de Botafogo (RJ), vários fatores contribuem para uma alta incidência de rinite alérgica no país. “Em primeiro lugar, vem a genética, que é um componente importante. Se um dos pais tem alergias, o filho tem uma chance maior de ter a mesma condição. Se ambos os pais têm alergias, a chance aumenta”, explica.
Em segundo lugar, avança Dr André Aguiar, vêm os alérgenos intradomiciliares. “Passamos cada vez mais tempo dentro de casa. A exposição aos alérgenos intradomiciliares é a maior causa de alergia no Brasil. Estamos diariamente em contato com ácaros da poeira domiciliar, fungos, pelos de cão e gato, que são os principais alérgenos em nosso país”.
Para o médico, a urbanização também contribui para a alta no índice de rinite no Brasil. Isso porque o ambiente urbano, com maior contato com agentes poluentes, piora a rinite.
Em quarto lugar, Aguiar destaca a chamada “teoria de higiene”: “Aparentemente, o estilo de vida moderno com menor exposição a microorganismos, bactérias, parasitas e ‘sujeiras’ na infância, assim como o uso frequente de antibióticos, contribui para alterar o sistema imunológico e aumentar a prevalência de doenças alérgicas. Este é um fenômeno mundial e não só do Brasil e tem sido muito estudado atualmente”, expõe.
Paciente com rinite pode desenvolver sintomas graves
Aguiar conta que a rinite alérgica pode ser apenas uma das doenças alérgicas que o paciente possui. “Ele pode ter também a rinoconjuntivite alérgica e, nesse caso, tem sintomas oculares importantes como coceira em olhos, edema, lacrimejamento, hiperemia conjuntival (olhos vermelhos) podendo levar até a descolamento de retina, úlceras de córnea e ceratocone”.
Segundo o médico alergologista, também é comum a associação da rinite alérgica com asma alérgica e dermatite atópica, doenças bem mais graves e que precisam ser investigadas e tratadas no paciente com rinite.
“Além disso, a rinite pode contribuir com sinusite, otite, respiração oral na criança (pela obstrução nasal), evoluindo para a síndrome do respirador oral, que pode levar a má formação de um terço médio da face”, afirma Aguiar. “A rinite também piora o sono e atrapalha na escola e trabalho, levando à diminuição do rendimento nos estudos, na carreira e piora na qualidade de vida”, complementa.
Como é realizado o diagnóstico?
A identificação precisa de alergias é fundamental para garantir o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes. Um dos métodos mais eficientes e rápidos para esse diagnóstico é o Prick Test , também chamado de teste cutâneo de leitura imediata. O exame é realizado da seguinte forma:
- O médico aplica pequenas quantidades de alérgenos na pele do paciente, geralmente no antebraço;
- Após a aplicação dos alérgenos, o paciente aguarda alguns minutos enquanto o médico monitora a pele em busca de possíveis reações;
- Entre as reações podem ocorrer vermelhidão, inchaço ou formação de pápulas (lesões sólidas com menos de um centímetro). Essas manifestações indicam sensibilidade ou alergia ao alérgeno testado;
- Na maioria dos casos, o exame é realizado já na primeira consulta e os resultados são obtidos entre 15 a 20 minutos.
“Com o resultado do exame de Prick Test podemos orientar ao que o paciente deve evitar o contato e preparar o tratamento com imunoterapia especificamente para aquele paciente”, finaliza o Dr André Aguiar.
Quais são os tratamentos para a rinite?
O tratamento clínico da rinite geralmente envolve o uso de medicamentos para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente. Os medicamentos mais comuns incluem anti-histamínicos, que ajudam a reduzir espirros, coceira e coriza. De acordo com o alergologista, os anti-histamínicos podem ser de primeira, segunda ou terceira geração, o que significa que as suas composições podem causar sonolência, por exemplo.
“Entre os ativos que podem dar sono, de primeira geração, estão Dexclorfeniramina Hidroxizina e Prometazina. Já os de segunda e terceira geração, por exemplo, não possuem essa característica e não ocasionam a sonolência, são eles: Cetirizina, Desloratadina, Fexofenadina, Loratadina e Bilastina”, explica.
Outra indicação é o uso dos descongestionantes, que aliviam o entupimento nasal de forma momentânea. No entanto, o Dr André Aguiar alerta que, embora proporcionem alívio imediato, os descongestionantes não são eficazes no controle de sintomas a longo prazo, como espirros, coriza ou coceira nasal. “Por essa razão, muitas pessoas acabam desenvolvendo o hábito de utilizá-los por períodos prolongados. Contudo, o uso de descongestionantes nasais não deve exceder uma semana”, evidencia.
O médico alergologista destaca que muito tem se falado de uma vacina que combate ou previne a rinite alérgica. “As vacinas de alergia , na verdade, não são vacinas. O nome correto é imunoterapia específica. Trata-se de um tratamento que visa dessensibilizar o paciente para diminuir sua alergia”, explica.
Aguiar detalha que o procedimento é realizado com a aplicação de quantidades cada vez maiores do alérgeno responsável pela alergia no paciente. “Esse é um tratamento com mais de cem anos que vem sendo aprimorado com o tempo. É considerado o único tratamento capaz de mudar o curso natural da doença chegando muito próximo de uma cura”, afirma.
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