
Uma pesquisa divulgada em março de 2025 pela American Bar Association (ABA) revelou que a adoção da inteligência artificial para advogados vem crescendo significativamente nos Estados Unidos. O estudo, intitulado 2024 ABA Legal Technology Survey Report , indica que os principais fatores que impulsionam esse movimento são os ganhos de eficiência, a automação de tarefas e a melhoria na gestão de tempo.
Conforme detalhado no artigo publicado no portal LawNext, o levantamento mostra que 36% dos escritórios de advocacia consultados já utilizam IA jurídica de alguma forma em suas rotinas. Em 2022, esse número era de apenas 15%. A pesquisa ouviu centenas de advogados em atividade e traz um panorama nacional sobre o uso de tecnologias emergentes no setor jurídico.
Entre as ferramentas mais adotadas estão os sistemas de revisão automatizada de contratos, plataformas de análise preditiva e assistentes de pesquisa legal baseados em IA. Para a maioria dos profissionais consultados, o principal benefício relatado foi a otimização do tempo dedicado a tarefas operacionais. “O que impulsiona a adoção da IA jurídica é, acima de tudo, a eficiência”, afirma o relatório publicado pela ABA.
O estudo também destaca que o uso da IA para advogados está deixando de ser exclusivo de grandes escritórios. Cada vez mais, pequenos e médios escritórios estão aderindo à tecnologia por meio de soluções acessíveis como ChatGPT ou Gemini, incluindo opções próprias do setor, sendo Freemium ou até um modelo de IA gratuita para advogados . Plataformas com funcionalidades básicas de automação e organização de documentos jurídicos vêm sendo utilizadas por profissionais autônomos, o que contribui para ampliar o alcance da transformação digital no setor.
Outro dado relevante apresentado na mesma pesquisa é a percepção crescente sobre a necessidade de capacitação. Cerca de 52% dos entrevistados declararam que ainda se sentem pouco preparados para utilizar plenamente as ferramentas de inteligência artificial disponíveis. Isso reforça a urgência de iniciativas educacionais voltadas ao uso técnico e ético da tecnologia na prática jurídica.
A pesquisa também aponta que os profissionais estão atentos às implicações éticas do uso da IA jurídica. Preocupações com privacidade, proteção de dados e a possibilidade de viés algorítmico foram mencionadas por grande parte dos entrevistados. Cássio Bastos R., especialista em soluções tecnológicas para o setor jurídico, comenta: “A popularização da inteligência artificial para advogado precisa vir acompanhada de responsabilidade, transparência e formação contínua”.
A evolução das ferramentas de Inteligência Artificial jurídica revela uma mudança no perfil da advocacia contemporânea. O foco deixa de ser apenas na resolução de casos e passa a considerar também a eficiência operacional e a gestão inteligente da informação jurídica.
Com o avanço constante das tecnologias e a incorporação progressiva de soluções baseadas em IA, o ano de 2025 marca uma virada na relação entre Direito e inovação. O relatório da ABA evidencia que o uso consciente da tecnologia já não é uma tendência futura, mas uma realidade consolidada no presente da advocacia.