A utilização de inteligência artificial (IA) e tecnologias digitais na construção civil tem aumentado de forma significativa no Brasil, redefinindo métodos de gestão, planejamento e execução de obras, além de promover mudanças estruturais no setor. A integração de recursos como Building Information Modeling (BIM), sensores conectados pela Internet das Coisas (IoT), computação em nuvem e algoritmos de IA constitui a base da digitalização crescente na indústria, segundo o Guia Orientativo de Uso de Tecnologias I4.0 e BIM em Gestão de Obras , publicado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No documento, consta que o BIM aprimora práticas da construção ao reduzir erros de compatibilidade, otimizar prazos, aumentar a confiabilidade dos projetos e melhorar o planejamento e o controle das obras. A tecnologia também contribui para a diminuição de custos e riscos, maior precisão nas estimativas e transparência nos processos de contratação. Caracterizada por decisões reativas e ajustes durante a execução das obras, a atividade passa a adotar modelos analíticos capazes de antecipar riscos e estruturar processos com maior rigor técnico.
Dados divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) indicam crescimento no uso de ferramentas digitais para gerir obras no país: a adoção de IA mais que dobrou entre 2023 e 2025, com 38% das empresas aplicando soluções tecnológicas em algum nível, enquanto o BIM é utilizado por cerca de 55% das organizações do segmento.
Especialistas destacam que a transformação tecnológica é heterogênea: grandes construtoras estão mais familiarizadas com a digitalização, enquanto empresas menores ainda dependem de processos manuais e enfrentam desafios para adotar soluções digitais completas.
André Abreu, engenheiro da Bristol — indústria de perfuratrizes , brocas e rompedores —, afirma que “tradicionalmente, a execução de fundações é baseada em ajustes realizados durante a obra conforme surgem imprevistos relacionados ao solo, profundidade ou desempenho do equipamento. Com a adoção do BIM, é possível modelar as fundações antes da execução, definindo com maior precisão o diâmetro das estacas, a profundidade necessária, o tipo de solo predominante e a compatibilidade entre a máquina-base e o implemento hidráulico. Isso possibilita uma especificação técnica mais assertiva das perfuratrizes e brocas”.
Essa digitalização também permite que parâmetros como vazão hidráulica, pressão de trabalho, torque aplicado e tempo de operação sejam monitorados em tempo real, evitando que o equipamento opere fora das condições recomendadas. Abreu pontua que, no caso das perfuratrizes hidráulicas , respeitar limites de pressão e vazão é fundamental para preservar vedações e componentes estruturais.
Outra implementação relacionada ao uso de IA é sua aplicação para a manutenção preditiva. “Os dados coletados durante a operação permitem prever o desgaste de componentes, programar intervenções preventivas e otimizar intervalos de lubrificação. Nas perfuratrizes hidráulicas, por exemplo, a troca periódica de graxa e a inspeção de extensões e brocas podem ser planejadas com base em dados reais de uso, aumentando a vida útil do equipamento e reduzindo paradas inesperadas”, afirma.
Atualmente, a maioria das perfuratrizes hidráulicas não vem de fábrica com inteligência artificial embutida. Entretanto, há sensores de pressão, vazão, temperatura e vibração que podem ser instalados nas máquinas . Assim, os dados são enviados para plataformas em nuvem ou softwares de gestão de frota, nos quais algoritmos analisam padrões de uso, identificam variações anormais de desempenho, detectam sobrecargas recorrentes e sugerem intervenções preventivas.
“Tanto nas perfuratrizes quanto nos rompedores hidráulicos, o uso de tecnologia reduz a probabilidade de falhas mecânicas, rompimento de mangueiras e acidentes decorrentes de operação inadequada”, explica o engenheiro.
A digitalização da construção civil traz para o canteiro de obra um modelo operacional orientado por dados, com maior previsibilidade e controle de riscos. Nesse sentido, especialistas acreditam que o uso de IA tende a reduzir custos operacionais e fortalecer a competitividade das empresas, contribuindo para a maturidade tecnológica do setor.
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