
A iniciativa da Petrobras visa consolidar o uso de robôs autônomos para a execução de inspeções técnicas em ambientes críticos para diminuir fatores de risco e elevar a precisão da coleta de dados operacionais. As avaliações são realizadas por um consórcio de universidades, vinculadas à Universidade de São Paulo (USP), campus São Carlos, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) , finalizou, ao longo de 2025, o cronograma anual de avaliações do projeto “Pilotos com Robôs de Solo em Plataformas e Refinarias”.
O projeto estabeleceu protocolos para avaliar a viabilidade técnica e identificar lacunas no monitoramento dos ativos da empresa. Entre os objetivos centrais, destacam-se: inspeções multissensoriais, monitoramento estrutural, análise de vibrações e de ruídos anômalos em equipamentos, identificação de vazamentos de gases e detecção de anomalias em infraestruturas. Além das inspeções, o uso dos dispositivos visa digitalizar os ativos e atualizar a base Street View das plantas da Petrobras, permitindo uma navegação virtual e precisa.
Por meio do teste de robôs com modelos comerciais, o projeto busca compreender as limitações dessas tecnologias em campo, permitindo o aprimoramento de algoritmos de pós-processamento de imagens e o desenvolvimento de procedimentos operacionais que garantam a segurança e a eficiência nas plantas industriais. As operações foram realizadas simultaneamente em ambientes acadêmicos, no Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello ( CENPES), no Rio de Janeiro, bem como em unidades offshore na Bacia de Santos, no Porto de Macaé e na Refinaria de Paulínia (REPLAN).
A iniciativa utilizou robôs quadrúpedes e de tração por esteiras para a execução de rotas de inspeção e empregou, de forma pioneira no Brasil, o software Energy Robotics , plataforma de gestão de frotas de robôs e drones desenvolvida na Alemanha. O emprego de robôs autônomos tem como finalidade, além dos objetivos operacionais, mitigar a exposição de trabalhadores a ambientes classificados como perigosos e insalubres.
De acordo com o coordenador do projeto, Professor Dr. Thiago Boaventura, da USP, o encerramento deste período operacional estabelece a transição para uma etapa de maior maturidade tecnológica dos sistemas. Durante a execução dos testes, as equipes concentram-se na validação da operabilidade de múltiplas unidades robóticas e na medição objetiva de indicadores de desempenho em condições reais de uso industrial.
Foram utilizados modelos quadrúpedes, como o ANYmal ( ANYbotics) e o Spot ( Boston Dynamics), além de robôs desenvolvidos pela empresa austríaca Taurob, que utilizam tração por esteiras e tecnologia para operação em ambientes explosivos. Esses dispositivos executaram missões de forma independente ou sob supervisão técnica remota, realizando leituras de medidores e análises visuais de diferentes objetos, como lâmpadas e válvulas.
Segundo o Dr. Boaventura, os dados obtidos estão em processo de consolidação em um relatório técnico pormenorizado, que inclui análises estatísticas comparativas dos desempenhos em ambientes onshore e offshore. Essa base de dados estruturada é considerada essencial para o planejamento de futuras implementações em escala industrial ampliada e para o desenvolvimento de soluções nacionais para a gestão de frota de robôs.
A complexidade técnica do projeto demandou a colaboração de pesquisadores em robótica, sistemas computacionais, telecomunicações e ciência de dados da Petrobras e das universidades. O projeto visa avançar na integração de dados com sistemas de gestão empresarial (SAP), visando a automação do fluxo informativo. Essa funcionalidade permitirá que o robô receba rotas de inspeção e envie relatórios diretamente aos sistemas de ordens de serviço, otimizando o ciclo de manutenção preventiva. As próximas etapas da pesquisa também focarão no uso de sensores acústicos e térmicos para a detecção precoce de falhas e não-conformidades em equipamentos rotativos, como bombas e compressores.
Para o Professor Boaventura, a conclusão deste ciclo não apenas valida a eficácia da robótica móvel em condições industriais, mas também projeta o ecossistema acadêmico brasileiro à vanguarda da Indústria 4.0. Ao integrar inteligência artificial e segurança do trabalho, a iniciativa pavimenta o caminho para operações mais inteligentes e menos dependentes da exposição humana a riscos. O legado deste consórcio, segundo o professor, servirá de base para que a transição de protótipos para frotas industriais seja o próximo marco para a integridade de ativos no Brasil.