
O retorno das férias de julho costuma representar um período de maior pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras. Gastos com viagens, lazer e compras, somados às despesas recorrentes do segundo semestre, fazem com que muitos consumidores recorram ao cartão de crédito para equilibrar as contas, uma decisão que pode agravar o endividamento.
O cenário reforça um desafio nacional. Segundo levantamento da Serasa, o Brasil ultrapassou a marca de 83 milhões de pessoas inadimplentes , com bancos e cartões de crédito figurando entre as principais origens das dívidas. O cartão, inclusive, aparece como a principal modalidade de endividamento entre os consumidores brasileiros.
Para Rodrigo Mendes, CEO da Pegcard, este é o momento ideal para reorganizar as finanças antes que pequenas dificuldades se transformem em um problema maior.
“O primeiro passo é entender exatamente quanto entrou e quanto saiu da conta durante as férias. Muitas pessoas continuam consumindo normalmente após esse período, sem perceber que o orçamento já foi comprometido. Esse é o momento de fazer ajustes”, afirma.
Entre as recomendações do especialista está evitar o pagamento mínimo da fatura ou o parcelamento do cartão de crédito. Embora essas alternativas pareçam aliviar o orçamento no curto prazo, elas podem prolongar a dívida e aumentar significativamente o custo financeiro.
“O cartão de crédito deve ser utilizado como meio de pagamento, e não como uma fonte permanente de financiamento. Quando a pessoa percebe que não conseguirá quitar a fatura integralmente, vale buscar alternativas com taxas mais competitivas antes que a dívida cresça”, explica Rodrigo.
Uma das estratégias recomendadas é recorrer a modalidades de crédito com juros controlados, especialmente aquelas destinadas à reorganização financeira. Além de reduzirem o custo total da dívida, essas linhas permitem maior previsibilidade no planejamento mensal.
O especialista também recomenda algumas boas práticas para quem deseja retomar o equilíbrio financeiro após as férias:
- Fazer um diagnóstico completo das despesas realizadas;
- Revisar gastos recorrentes e eliminar despesas não essenciais;
- Evitar novas compras parceladas enquanto o orçamento estiver comprometido;
- Priorizar a quitação de dívidas com juros mais elevados;
- Buscar linhas de crédito mais econômicas quando houver necessidade de reorganizar as finanças.
A recomendação ganha ainda mais relevância diante do atual cenário econômico. Dados da Serasa ainda mostram que cada consumidor inadimplente possui, em média, mais de três dívidas em aberto
, sendo que quase metade dos endividados concentra múltiplas dívidas na mesma instituição financeira.
Para Rodrigo Mendes, planejamento é a principal ferramenta para evitar que um desequilíbrio temporário se torne um problema de longo prazo.
“Organizar as finanças logo após as férias permite começar o restante do semestre com mais tranquilidade. Em vez de recorrer ao crédito mais caro, o consumidor deve buscar soluções sustentáveis, que preservem sua saúde financeira e evitem o efeito bola de neve”, conclui.
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