Câncer de mama: acesso a tecnologias para prevenir recidivas

Consulta pública abre espaço para participação social sobre nova opção de medicamento da classe dos inibidores de ciclinas no SUS

Câncer de mama: acesso a tecnologias para prevenir recidivas
Foto: DINO
Câncer de mama: acesso a tecnologias para prevenir recidivas

Uma a cada oito mulheres, podem ter câncer de mama durante a vida e quando diagnosticado e tratado em fases iniciais, há altas chances de cura . No entanto, para a maioria das pacientes, o cuidado não termina após cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou terapia endócrina. Mesmo depois do tratamento inicial, o risco de retorno da doença pode persistir por anos, com impactos emocionais, sociais e econômicos relevantes para pacientes e suas famílias, podendo afetar a qualidade de vida , o retorno ao trabalho e a reintegração social.

No Brasil, o câncer de mama segue entre os principais desafios de saúde pública. A estimativa para o período de 2026 a 2028 é de 78.610 novos casos por ano no país. Nos estágios iniciais, o câncer de mama apresenta melhores perspectivas de controle , reforçando a importância do diagnóstico precoce, da jornada de cuidado adequada e do acesso a tratamentos baseados em evidências.

O subtipo RH+/HER2-, sensível a hormônios, é o mais comum no câncer de mama, representando cerca de 70% dos casos. No Sistema único de Saúde (SUS), após as etapas iniciais do tratamento, as pacientes com esse subtipo contam historicamente com a terapia endócrina como uma das principais estratégias adjuvantes . No entanto, pacientes classificadas como de alto risco, a possibilidade de recidiva permanece uma preocupação central, isso porque cerca de 50% têm recidiva inclusive após cinco anos do diagnóstico.

“Na prática do SUS, vemos diariamente o quanto o tratamento do câncer de mama inicial precisa ser pensado de forma completa, considerando não apenas o controle do tumor no momento do diagnóstico, mas também a redução do risco de retorno da doença no longo prazo. Para pacientes RH+/HER2- com alto risco de recidiva, os inibidores de ciclina representam uma classe terapêutica relevante dentro da oncologia moderna, sempre com indicação individualizada e decisão compartilhada entre equipe médica e paciente. Por isso ampliar as opções de tratamento disponíveis é tão importante”, afirma a Dra. Susana Ramalho, Oncologista do Grupo SOnHe e CAISM/Unicamp, Campinas, São Paulo.

A recidiva do câncer de mama pode ocorrer localmente, regionalmente ou à distância, quando a doença se torna metastática e não existe mais a possibilidade de cura . Além do impacto clínico, o retorno da doença pode afetar saúde mental, relações familiares, vínculo com o trabalho, produtividade e estabilidade financeira . “Em nossa pesquisa, o Oncoguia identificou que 8 em cada 10 pacientes com câncer de mama convivem com o medo de o câncer voltar, o chamado medo da recidiva, independentemente da fase da jornada em que se encontram. Esse resultado reforça a importância de um cuidado integral, que considere não apenas o controle da doença, mas também estratégias que reduzam o risco de recidiva, preservem a qualidade de vida, a saúde mental, o acolhimento e o suporte contínuo às pessoas que convivem com essa realidade”, afirma Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia .

Nesse contexto, ampliar as alternativas terapêuticas disponíveis no SUS para pacientes com câncer de mama inicial de alto risco é uma medida importante para fortalecer a linha de cuidado. Por isso foi aberta pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) a consulta pública n° 61/2026 que avalia a incorporação de uma nova opção da classe dos inibidores de ciclinas para o tratamento adjuvante de pacientes adultos com câncer de mama inicial RH+/HER2-, com alto risco de recidiva.

A consulta pública é uma etapa prevista no processo de avaliação de tecnologias em saúde, realizado pelo Ministério da Saúde antes de definir quais tratamentos serão disponibilizados à população através do SUS. Essa etapa permite que pacientes, familiares, cuidadores, profissionais de saúde, gestores, especialistas e a sociedade em geral contribuam com experiências, evidências e percepções sobre a tecnologia em avaliação. A participação ocorre por meio dos canais oficiais da Conitec e pode ser acessada aqui .

“Participar de uma consulta pública é uma oportunidade de transformar experiências em evidências para a tomada de decisão. Os estudos mostram eficácia e segurança das tecnologias. Já pacientes e familiares mostram o que esses resultados significam na vida real: o medo da recidiva, o impacto na saúde mental, na família, no trabalho e na qualidade de vida. É essa combinação entre ciência e experiência que fortalece decisões mais completas para o SUS”, complementa Luciana Holtz.

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