Interesse por viagem nacional é o maior em quatro anos

O turismo doméstico consolidou sua liderança sobre o mercado brasileiro de viagens em 2025. As viagens nacionais responderam por 77,9% da receita das operadoras no ano, segundo o Anuário Braztoa 2026, enquanto o interesse do brasileiro por destinos dentro do país alcançou o maior patamar em quatro anos, de acordo com pesquisa da Opinion Box. O avanço redesenha o público da hotelaria nacional.

Interesse por viagem nacional é o maior em quatro anos
Foto: DINO
Interesse por viagem nacional é o maior em quatro anos

O interesse do brasileiro por viajar dentro do próprio país chegou ao maior nível em quatro anos. Segundo a pesquisa State of Search Brasil, da Opinion Box em parceria com a Hedgehog Digital e divulgada pela Panrotas, o  interesse por viagens domésticas alcançou 42% em 2025 , o maior patamar da série iniciada em 2022.

A curva mostra recuperação consistente. De acordo com o mesmo levantamento, o índice partiu de 37% em 2022, recuou para 34% em 2023, subiu para 38% em 2024 e atingiu 42% em 2025, o maior avanço entre um ano e outro em todo o período avaliado.

A forma de pesquisar acompanha o movimento. Ainda segundo a Opinion Box, a busca por viagens ocorre cada vez mais pelo celular, o que aproxima a decisão do momento em que o interesse surge e facilita comparar destinos dentro do próprio país.

O interesse se traduz em receita. Segundo o Anuário Braztoa 2026, as  viagens nacionais movimentaram R$ 18,66 bilhões e responderam por 77,9% de toda a receita das operadoras de turismo em 2025, com 7,1 milhões de embarques domésticos e mais de 19 milhões de diárias vendidas no ano.

Por que o Brasil ganhou o brasileiro

Para Ruan Henrique , supervisor de marketing do Esmeralda Praia Hotel, a alta do interesse nacional reflete uma mudança de percepção. “O brasileiro passou a enxergar o próprio país como uma escolha de primeira linha. Ele percebeu que tem praia, estrutura e serviço aqui, e que não precisa de passaporte para viver uma boa viagem”, afirma.

Segundo o executivo, o acesso à informação acelerou essa virada. “Hoje o viajante pesquisa o destino nacional com o mesmo nível de detalhe com que pesquisava o internacional. Ele chega sabendo o que a cidade oferece, e isso aumenta a confiança de escolher o Brasil”, ressalta.

O reflexo na hotelaria

Esse movimento nacional se distribui entre destinos de perfis variados, do interior às capitais litorâneas,  como Natal, no Rio Grande do Norte . Para Amanda Correia, gerente comercial do Esmeralda Praia Hotel, ele aparece na origem das reservas. “A base de quem reserva é brasileira e vem de regiões cada vez mais variadas. Isso muda o preparo do hotel, do jeito de comunicar ao tipo de passeio que a gente indica para cada perfil”, identifica.

A leitura de mercado

Para Gianluca D’alessandro , CEO do Esmeralda Praia Hotel, o peso da receita doméstica altera a estratégia do setor. “Quando quase 80% da receita das operadoras vem de viagem nacional, o mercado interno deixa de ser o consolo e passa a ser o jogo principal. Isso muda onde o hotel investe e para quem ele fala”, assinala.

Para o executivo, a concorrência muda de tamanho com esse novo peso. “Com o brasileiro viajando mais dentro do país, a concorrência de cada hotel virou o Brasil inteiro. O hóspede compara Natal com a serra gaúcha, com o Nordeste todo , e escolhe onde o motivo da viagem estiver mais claro”, conclui.



Website: https://esmeraldapraiahotel.com.br/