O Brasil avançou 3 posições no Ranking Global de Inovação , de acordo com relatório recente da WIPO (World Intellectual Property Organization), referência no setor. O país, que no ano anterior ocupava a 57ª posição, está agora na 54ª. Foram 132 economias avaliadas por diferentes critérios em 7 áreas: Instituições; Recursos Humanos e Pesquisa; Infraestrutura; Sofisticação do Mercado, Sofisticação Empresarial; Produtos de Conhecimento e Tecnologia; e Produtos criativos.
Mas, por mais que o saldo tenha sido positivo - segunda colocação na América Latina e Caribe, nona posição dentro das rendas médias altas, crescimento considerado acima do esperado e pontos fortes dentro das categorias analisadas, há uma grande preocupação com o Brasil no setor de inovação. O país, que é a décima maior economia do mundo, está distante dos 30 primeiros do ranking e ocupa posição inferior a países com PIBs muito mais baixos, como: Portugal, Irã, Malásia e Vietnã e que sequer se aproximam do G20. Também é necessário analisar que, por mais que o país tenha avançado no ranking nos últimos 5 anos, sua melhor colocação foi em 2011, quando atingiu a 47ª posição.
Quando comparado ao ano de 2011, percebe-se que houve piora significativa nos critérios relacionados a instituições, (ambiente político, regulatório e corporativo) e em produtos criativos (ativos intangíveis, bens criativos e serviços e criatividade online). Interessante também é a análise de que o país melhorou em nota, mas caiu 20 posições em infraestrutura, o que demonstra que outras nações investiram muito mais nesse quesito nos últimos 10 anos, e que, mesmo “avançando”, o país está muito atrás em competitividade.
Na parte de sofisticação do mercado (investimento, comércio, diversificação e tamanho de mercado), verifica-se que ao longo dos anos o país foi melhorando sua nota, mas que hoje se encontra pouquíssimo acima de 2011 em nota, porém muito em melhor colocação (80ª em 2022, 49ª em 2022), o que reflete um imenso potencial de alavancar no setor diante das outras economias, mas que carece de maiores políticas públicas para isso.
A importância do Ambiente de Negócios, da Sofisticação do Mercado e de P&D
Para André Moro Maieski - especialista em investimentos de inovação, o ambiente de negócios precisa ser revisto urgentemente no país, principalmente com iniciativas que favoreçam a competitividade e a inovação tecnológica. Há bons exemplos de leis que favorecem esse setor, tal como a Lei Complementar 182/21, que instituiu o marco das startups e do empreendedorismo inovador e a Lei 13.874/19, que instituiu medidas positivas relacionadas à liberdade econômica e associadas à redução da burocracia para facilitação do livre mercado. Mas segundo Maieski, mesmo que positivas, essas iniciativas por si só são incapazes de transformar profundamente o ambiente de negócios do país.
A comparação com os 4 países de PIB mais baixo citados anteriormente (Portugal, Malásia, Vietnã e Irã), demonstra algo em comum: os três primeiros estão em posições muito melhores no índice de ambiente de negócios (subgrupo de instituições), e mesmo Portugal que, assim como o Brasil identifica como fraqueza o ambiente de negócios, ainda permanece 19 posições a frente.
Em P&D fica clara a relevância de Portugal, Malásia e Irã, países que constam como fortes nesse quesito do ranking. Já na parte de sofisticação de negócios, o Irã se destaca no 11º lugar desse grupo, e Vietnã e Malásia se destacam como fortes quando analisado o crédito para o setor privado.
Maieski considera primordial a aprovação e implementação de iniciativas para destravar o país no ranking de inovação, tais como o descontingenciamento dos fundos do FNDCT, que prevê a redução de investimentos do fundo de inovação administrado pela FINEP e o Projeto de Lei 4944/20, da Deputada Luísa Canziani, que altera a Lei do Bem e, dentre outros pontos, prevê que o excedente do percentual dos gastos com pesquisa tecnológica seja excluído do lucro líquido das empresas e possa ser aproveitado em exercícios seguintes. “Sem dúvidas, maiores recursos destinados à FINEP e à Lei do Bem melhorariam muito a posição no Brasil no IGI (Índice Geral de Inovação)”, finaliza o especialista e sócio da Macke Consultoria .
Cenário Brasileiro X Cenário Mundial
Em matéria recente sobre como escapar da estagnação científica, o jornal britânico The Economist cita a aprovação pelo congresso americano do orçamento de US$ 200 bilhões para ser utilizado na próxima década para ciência aplicada e tecnologia. Em outro artigo, o mesmo jornal demonstra que a corrida para a inovação tem trazido grandes resultados, e que os gastos em PD&I no ano de 2020 ultrapassaram os US$ 2,1 trilhões. O Brasil, segundo relatório mais recente do EU Industrial R&D Investment Scoreboard , investe cerca de 1% do PIB para inovação, o que no ano de 2020 totalizou cerca de US$ 20 bilhões. Em termos comparativos, os EUA liberaram em 2022 o total de US$ 370 bilhões somente para gastos com energia verde, incluindo grande fatia para pesquisa.
Gianna Sagazio, diretora de inovação da Confederação Nacional da indústria ( CNI ), afirmou em evento da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), no último dia 7, que o Brasil precisa com urgência aumentar investimentos na área para se tornar mais competitivo globalmente.
A partir dessa análise, Maieski afirma que fica evidente a necessidade de que o ambiente de negócios se torne menos burocrático e mais acessível a todos os setores da economia, bem como para os diferentes portes de empresas. A Lei do Bem e a FINEP inclusive foram comentadas no IGI de 2017, em artigo de autoria de Robson Braga de Andrade (Presidente da CNI) e de Guilherme Afif Domingos (Na época presidente do SEBRAE). “Ampliar esses instrumentos de competitividade como a FINEP e Lei do Bem é um passo importante rumo ao desenvolvimento tecnológico e científico do Brasil”, finaliza André.
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