Canetas emagrecedoras não substituem cirurgia bariátrica
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Canetas emagrecedoras não substituem cirurgia bariátrica

O uso de canetas emagrecedoras cresceu 88% no Brasil entre 2024 e 2025, somando cerca de R$ 9 bilhões em importações. Os dados são do Conselho Federal de Farmácia e foram divulgados pela Agência Brasil . Ao mesmo tempo em que esses medicamentos se tornam mais populares, é comum que as pessoas tenham dúvidas sobre como eles funcionam e quais as diferenças em relação a outras formas de tratamento da obesidade, como a cirurgia bariátrica.

O cirurgião bariátrico e coloproctologista Dr. Rodrigo Barbosa , que também é fundador do Instituto Medicina em Foco, explica que as canetas têm papéis diferentes e complementares em relação à cirurgia.

Ele diz que esses medicamentos podem ser úteis para pacientes com sobrepeso ou obesidade leve a moderada, principalmente quando associados a mudanças de estilo de vida. Em alguns casos, as canetas emagrecedoras também ajudam pacientes com obesidade mais avançada a iniciar um processo de perda de peso.

“No entanto, quando falamos de obesidade grave ou obesidade associada a doenças metabólicas importantes, como diabetes tipo 2, hipertensão ou apneia do sono, a cirurgia metabólica continua sendo o tratamento mais eficaz e duradouro . Ou seja, as medicações ampliaram o arsenal terapêutico, mas não substituíram a cirurgia bariátrica”, resume o Dr. Rodrigo Barbosa.

O médico ressalta que muitos pacientes percebem que os medicamentos funcionam enquanto estão sendo utilizados, mas quando o tratamento é interrompido, parte do peso perdido pode retornar. Outro ponto é que nem todos os pacientes conseguem atingir com medicação a perda de peso necessária para controlar doenças metabólicas importantes.

“Além disso, os medicamentos têm custo elevado e precisam ser usados de forma contínua. Com o tempo, alguns pacientes acabam optando por uma solução mais duradoura, que é a cirurgia metabólica. Isso não significa que os medicamentos não funcionam, mas que cada estratégia tem seu espaço dentro do tratamento da obesidade”, destaca o especialista em emagrecimento.

Especialistas da Escola de Medicina da Universidade de Nova York (NYU, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, divulgaram o resultado de uma pesquisa apontando que a cirurgia bariátrica está associada a melhores resultados de perda de peso do que os medicamentos injetáveis à base de GLP-1.

Propostas e novas métodos

Com a evolução do tratamento da obesidade, novas medicações têm despertado expectativa, além de estratégias em estudo voltadas a reduzir a perda de massa magra durante o emagrecimento. De acordo com o fundador do Instituto Medicina em Foco, apesar desse avanço, o raciocínio clínico continua o mesmo: mesmo os medicamentos mais modernos tendem a exigir uso contínuo, acompanhamento especializado e investimento elevado ao longo do tempo.

Segundo o Dr. Rodrigo Barbosa, esse é um ponto importante na prática. Nem todos os pacientes respondem da mesma forma aos medicamentos, e parte deles acaba interrompendo o tratamento por custo, efeitos adversos, dificuldade de adesão ou por não atingir a perda de peso e o controle metabólico esperados.

“Esses novos medicamentos mostram que o tratamento da obesidade está evoluindo, o que é positivo. Mas elas não mudam um princípio central: obesidade grave e doença metabólica importante continuam exigindo uma análise individualizada. Para muitos pacientes, a cirurgia metabólica segue sendo a estratégia mais eficaz e mais duradoura”, enfatiza o Dr. Rodrigo Barbosa.

Cirurgia metabólica: resultados podem ir além do emagrecimento

De acordo com o Dr. Rodrigo Barbosa, a cirurgia metabólica pode trazer benefícios que vão além da perda de peso . Muitos pacientes apresentam melhora importante ou até remissão do diabetes tipo 2, redução da pressão arterial, menor risco cardiovascular, melhora da apneia do sono e regressão da doença hepática gordurosa.

“Por isso, hoje muitos especialistas preferem o termo cirurgia metabólica, justamente porque o impacto da cirurgia envolve todo o metabolismo do paciente, e não apenas o peso corporal”, revela o médico.

Para quem enfrenta a obesidade e pensa em iniciar algum tratamento, a avaliação médica é essencial antes de optar por medicação ou cirurgia. O Dr. Rodrigo Barbosa alerta para o aumento da automedicação e do uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento especializado, muitas vezes impulsionado por informações simplificadas nas redes sociais.

O cirurgião também lembra que, em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a exigir retenção de receita para a venda desses medicamentos.

“A avaliação médica é imprescindível porque a obesidade não é uma doença única. Cada paciente tem perfil metabólico, histórico clínico e fatores de risco diferentes. Durante essa análise, avaliamos índice de massa corporal, doenças associadas, histórico familiar, padrão alimentar, comportamento metabólico e possíveis contraindicações”, orienta.

Com base nessa avaliação, é possível definir a estratégia mais adequada para cada paciente, seja tratamento clínico, medicamentos, cirurgia metabólica ou a combinação dessas abordagens.

“O mais importante é entender que não existe solução universal. O tratamento da obesidade precisa ser individualizado e conduzido por uma equipe médica especializada”, conclui o Dr. Rodrigo Barbosa do Instituto Medicina em Foco .



Website: http://emfoco.med.br

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